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22 de outubro de 2012

Cinema

Sessão Pipoca: Romances de mentirinha

Dizem por aí que a culpa de acreditarmos no amor é em parte dos filmes, dos livros e das séries de TV. A realidade nem sempre é tão bonita quanto nos contam, mas mesmo assim tais histórias mexem com o nosso imaginário e faz parte do ritual acreditar em romances perfeitos. Essa semana separei três filmes que abordam justamente essa vontade de encontrar o amor da nossa vida, capaz de fugir até mesmo da realidade.

Em 2009, o cineasta brasileiro Cláudio Torres lançou “A Mulher Invisível”, que mostrava um homem abandonado pela esposa que se apaixona por sua vizinha, uma espécie de mulher ideal que supre todas as necessidades sentimentais dele. Apenas ele enxerga a moça, em uma abordagem interessante sobre a cegueira do amor, vivendo situações comuns a qualquer casal “de verdade”.

Um pouco antes, em 2007, o diretor Craig Gillespie surpreendeu a crítica internacional com “A Garota Ideal”, comédia romântica que conta a história de um homem tímido que encontra uma garota pela internet. O problema é que Bianca é uma boneca de silicone e que, para os seus familiares, ela não passa de uma fuga do protagonista para se sentir menos sozinho. Ele acredita não só que ela é um ser humano, como a solução para os seus problemas emocionais.

Está em cartaz nos cinemas nacionais “Ruby Sparks – A Namorada Perfeita”. Na trama, um escritor de sucesso passa por um bloqueio criativo, enquanto tenta lidar com seus problemas afetivos. Então ele resolve criar um personagem, a Ruby do título, que seria a namorada perfeita para ele. Quando Ruby realmente ganha vida, ele precisa lidar com a sua criação. O filme é dos mesmos diretores do sucesso “Pequena Miss Sunshine”. Confira o trailer:

Histórias como essas fazem o público refletir sobre o amor perfeito. O problema é que ele só existe dentro da expectativa de cada um. De todos nós que somos bombardeados por romances ficcionais que nos fazem acreditar na plenitude desse sentimento. Por mais que as histórias reais nem sempre sejam tão bonitas quanto nos filmes, é bom nunca perder a esperança de amar e ser amado.

Por Diego Benevides,
jornalista e crítico de cinema.